
A II Semana da Consciência Negra – Conexões Afro-Brasileiras encerrou sua programação nesta quinta-feira (20) com um vibrante show do grupo Cavaquinho de Ouro, marcando o fim de quatro dias de atividades culturais realizadas no Museu Ferroviário de Tubarão.
Entre os dias 17 e 20, o público pôde acompanhar uma série de ações que celebraram a diversidade, a ancestralidade e a produção cultural afro-brasileira.
A programação ofereceu um desfile de penteados e maquiagem afro, uma apresentação de capoeira realizada pelos alunos da EMEB Faustina da Luz Patrício — com forte participação da comunidade —, atrações musicais e o espetáculo Sementes, apresentado pelo grupo Encantados Contadores de Histórias. Cada encontro foi marcado por memórias, emoção e alegria.
Além das atividades artísticas, o evento promoveu uma roda de conversa sobre Educação Antirracista, conduzida por três pesquisadoras e educadoras. O debate destacou a urgência do tema diante do aumento dos casos de racismo e violência no ambiente escolar, apontando caminhos e reflexões para o enfrentamento dessas questões.
A gastronomia afro-brasileira também ganhou espaço especial. O público teve a oportunidade de degustar pratos preparados com frutos do mar — referência ao alimento consumido pelos povos escravizados e à importância histórica do rio —, além de feijão tropeiro, símbolo da contribuição do povo negro para a construção do município, e tapioca, elemento tradicional da cultura alimentar brasileira.
Para a museóloga Silvana Silva de Souza, a realização do evento reforça o papel do Museu Ferroviário como parceiro na promoção da cultura afro-brasileira na região.
“A II Semana da Consciência Negra – Conexões Afro-Brasileiras é de grande importância para o Museu, pois busca fortalecer o protagonismo negro na sociedade e dar visibilidade à produção cultural afro-brasileira no sul de Santa Catarina. É uma iniciativa da Associação de Resistência Ancestral (ÀRÁ) e do Setorial de Cultura Afro-Brasileira, em parceria com o Museu, que pretende manter essa temática viva durante todo o ano”, ressalta.
Estudantes da rede pública também participaram da semana por meio de visitas à exposição fotográfica “África Oriental: terra, povo e vida selvagem”, do escritor José Warmuth, além de terem acesso às obras da autora Noemi Balbino, disponíveis para compra.
O diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Alyson Oliveira, ressaltou o impacto das ações na construção de uma cidade mais plural:
“É fundamental reforçarmos o valor da diversidade e da história que formam a identidade do nosso povo. A Fundação de Cultura tem orgulho de apoiar iniciativas que promovem o respeito aos nossos povos ancestrais e à contribuição da população negra para Tubarão. Esta semana é um convite ao diálogo e ao reconhecimento de que a cultura só se fortalece quando todos têm voz e espaço”, destaca.
Totalmente gratuita e aberta à comunidade, a II Semana da Consciência Negra – Conexões Afro-Brasileiras reafirmou seu compromisso com o resgate e a valorização da história e da contribuição do povo negro no desenvolvimento de Tubarão.
A presidente do Setorial de Cultura Afro-Brasileira, Emanuela da Silva, destacou o sentimento ao final da edição: “Encerramos esta edição com imensa alegria, agradecendo ao público e a todas as pessoas e instituições que acreditam e apoiam o nosso trabalho”, finalizou.